Webdocumentário
CSVM–UFG · 2021—2026
Cinco anos.
Milhares de caminhos
Da criação da Cátedra Sérgio Vieira de Mello da UFG às ações de acolhimento em Goiás: uma trajetória contada pela saúde, pelas línguas, pelos direitos e pelo trabalho em rede.
ApresentaçãoAPRESENTAÇÃO · 2021—2026
Cinco anos de acolhimento na UFG.
A Cátedra Sérgio Vieira de Mello da Universidade Federal de Goiás aproxima ensino, pesquisa e extensão das experiências de pessoas em situação de refúgio. Sua trajetória reúne diferentes áreas da Universidade em ações de cuidado, aprendizagem e acesso a direitos.
Este webdocumentário acompanha essa atuação em cinco capítulos. O percurso começa com a formação da Cátedra e o contexto migratório de Goiás, passa pela saúde, pelo ensino de línguas e pela orientação jurídica e chega aos resultados e às parcerias que sustentam o trabalho.
A universidade se organiza para acolher.
Em 5 de março de 2021, a Universidade Federal de Goiás inaugurou sua Cátedra Sérgio Vieira de Mello em parceria com o ACNUR, a Agência da ONU para Refugiados. A criação da CSVM-UFG deu forma institucional a uma articulação que já aproximava diferentes áreas da Universidade em torno das questões relacionadas à migração, ao refúgio e ao acesso a direitos.
Ciências Sociais, Letras, Enfermagem, Direitos Humanos, Arquitetura e Comunicação passaram a compartilhar experiências e projetos voltados ao acolhimento de migrantes, refugiados e apátridas. Ao longo dos anos, essa rede se ampliou e passou a reunir ações de ensino, pesquisa, extensão e atendimento em diferentes frentes.
A história da Cátedra, portanto, também acompanha as transformações do próprio cenário migratório de Goiás. Para compreender as ações desenvolvidas pela UFG, é necessário observar quem chega ao estado, quais são os deslocamentos registrados e quais demandas passam a aparecer nos serviços públicos, nas escolas, no trabalho e na Universidade.
Texto de introdução ao Filme 01
O primeiro filme recupera a criação da CSVM-UFG e os caminhos que levaram à formação dessa rede dentro da Universidade. A narrativa reúne acontecimentos, iniciativas e pessoas que participaram da construção da Cátedra e ajuda a compreender como o acolhimento se tornou uma pauta compartilhada por diferentes áreas da UFG..
HISTÓRIA · O TERRITÓRIO DE ATUAÇÃO
O contexto migratório em Goiás.
A atuação da Cátedra acontece em um estado que passou a integrar, de maneira cada vez mais evidente, os diferentes percursos da migração internacional no Brasil.
Goiás não está localizado em uma região de fronteira internacional, mas recebe pessoas que chegam ao país por diferentes rotas e, depois, seguem para outras cidades em busca de trabalho, estudo, acesso a serviços públicos, redes familiares ou novas possibilidades de permanência.
Os dados migratórios ajudam a dimensionar esse cenário. Eles mostram registros de residência, solicitações de reconhecimento da condição de refugiado e outros indicadores relacionados à presença de migrantes no estado. Esses números não contam, sozinhos, as histórias de quem chega, mas permitem compreender a escala e algumas características desse movimento.
O painel a seguir apresenta indicadores disponíveis para Goiás e funciona como uma fotografia desse contexto.
CSVM–UFG · CONTEXTO MIGRATÓRIO
Goiás em dados
Residência ativa
Goiás · agosto de 2026
registros de residência ativa
REPORTAGEM · VENEZUELA E GOIÁS
Da Venezuela a Goiás: trajetórias de migração e acolhimento
O deslocamento de venezuelanos ganhou escala continental e também passou a integrar a realidade migratória brasileira. Em Goiás, essas trajetórias se encontram com um cenário mais amplo de mobilidade internacional, acesso a serviços públicos e reconstrução de vínculos.
Fonte: ACNUR. Dados atualizados em agosto de 2026.
Quase 7,9 milhões de pessoas deixaram a Venezuela em busca de proteção e de novas condições de vida. A maior parte permanece na própria região: mais de 6,9 milhões estão em países da América Latina e do Caribe. O movimento ultrapassou as áreas de fronteira e passou a fazer parte da realidade de cidades situadas a milhares de quilômetros dos pontos de entrada.
No Brasil, a chegada de venezuelanos por Roraima foi acompanhada por ações de regularização, acolhimento e interiorização. Ao longo desse processo, famílias e indivíduos seguiram para diferentes regiões em busca de trabalho, estudo, serviços públicos, redes familiares e novas possibilidades de permanência. Goiás passou a integrar parte desses percursos.
Da fronteira para outras regiões do Brasil
A Operação Acolhida estruturou ações de recepção, documentação, abrigo e interiorização para pessoas que chegaram ao país pela fronteira com a Venezuela. Em conteúdo publicado pela própria CSVM-UFG, com dados disponíveis naquele momento, mais de 280 mil migrantes e refugiados venezuelanos haviam sido regularizados e cerca de 66 mil pessoas interiorizadas para mais de 700 municípios brasileiros. A publicação registrava ainda mais de 1,9 milhão de atendimentos realizados na fronteira entre Brasil e Venezuela.
A interiorização ajuda a explicar por que a presença venezuelana deixou de ser um fenômeno restrito ao Norte do país. A chegada a uma nova cidade, porém, não encerra o deslocamento. A etapa seguinte envolve documentação, moradia, língua, trabalho, educação, saúde e a construção de novas redes de convivência.
Goiás dentro desse percurso
A presença venezuelana integra um cenário migratório mais amplo no estado. Os números do painel “Goiás em dados” não correspondem apenas a venezuelanos: eles reúnem registros de diferentes nacionalidades e ajudam a dimensionar o contexto em que a Cátedra atua.
GOIÁS EM DADOS · CONTEXTO MIGRATÓRIO
Em agosto de 2026, Goiás registrava 27.948 residências ativas. No mesmo painel, aparecem 2.189 registros de residência realizados em 2026, além de 590 solicitações de reconhecimento da condição de refugiado e 41 decisões no ano.
O conjunto de indicadores também registra 843 carteiras de trabalho emitidas para imigrantes em Goiás em 2019. Como os períodos de referência são diferentes, os dados devem ser lidos separadamente e não como um único balanço anual.
Fonte: DataMigra BI, OBMigra/SENAJUS.
Para quem chega, esses números se traduzem em situações cotidianas: procurar atendimento, compreender um procedimento administrativo, matricular os filhos na escola, aprender português, buscar trabalho ou regularizar documentos. A experiência migratória passa a ser vivida menos como uma estatística e mais como uma relação concreta com a cidade e seus serviços.
Uma migração também indígena
Entre os venezuelanos que chegaram ao Brasil estão integrantes do povo Warao. A presença desse grupo evidencia que a migração venezuelana não é homogênea. Língua, organização comunitária, educação, saúde, moradia e preservação cultural precisam ser consideradas nas políticas de acolhimento.
Em Goiânia, a própria CSVM-UFG já registrou políticas voltadas ao atendimento e à integração escolar de indígenas Warao. A experiência desse povo amplia a compreensão sobre o deslocamento venezuelano e reforça a necessidade de respostas capazes de reconhecer diferentes trajetórias e pertencimentos.
Língua, saúde e documentação
Na UFG, a presença venezuelana aparece em diferentes frentes de atuação da Cátedra. Em 2024, a CSVM-UFG e a AVSI Brasil iniciaram um curso de português por meio do projeto Acolhidos por Meio do Trabalho. A iniciativa era direcionada principalmente a venezuelanos, mas também recebia migrantes de outras nacionalidades. Cerca de 40 estudantes participavam do projeto no momento da publicação.
O aprendizado da língua se relaciona diretamente com a autonomia no país de chegada. Compreender o português facilita a comunicação nos serviços públicos, na escola, no trabalho e nos procedimentos relacionados à documentação. Da mesma forma, o acesso à saúde depende não apenas da existência do serviço, mas também da possibilidade de compreender informações, relatar necessidades e estabelecer vínculos com as equipes de atendimento.
É nesse ponto que a trajetória venezuelana se encontra com as demais frentes da CSVM-UFG. A Cátedra atua com migrantes, refugiados e apátridas de diferentes nacionalidades, articulando ensino, pesquisa, extensão, orientação e acesso a direitos. A população venezuelana faz parte desse conjunto, sem esgotar a diversidade de pessoas atendidas e acompanhadas pela rede.
Fontes consultadas: ACNUR Brasil; conteúdos publicados pela CSVM-UFG sobre a Operação Acolhida, o curso de português para migrantes, políticas de acolhimento e o povo Warao. Os indicadores de Goiás mantêm a fonte original do painel migratório.
O panorama migratório ajuda a compreender a escala dos deslocamentos, mas os efeitos da chegada aparecem de forma concreta no cotidiano. Depois da regularização e da mudança de cidade, continuam as necessidades relacionadas à moradia, à língua, ao trabalho, à educação e ao acesso aos serviços públicos.
Entre essas dimensões, a saúde ocupa um lugar central. O cuidado envolve tanto o atendimento clínico quanto a possibilidade de comunicação, escuta e compreensão das experiências de quem migra. Diferenças linguísticas, trajetórias de deslocamento e condições de vida podem interferir diretamente na maneira como cada pessoa chega ao serviço e estabelece vínculo com as equipes.
É a partir dessa passagem — do contexto migratório para a experiência cotidiana de acolhimento — que o webdocumentário segue para a primeira frente de atendimento apresentada pela Cátedra.
02 / 05 — Saúde →O cuidado acompanha a chegada.
A saúde envolve o corpo, mas também as marcas emocionais do deslocamento. Na Cátedra, essa frente articula atendimento especializado, atenção psicossocial, formação e pesquisa, considerando as experiências de quem migra.
O grupo Redes de Cuidado em Migração, aberto em 2026 com apoio da CSVM-UFG, reúne diferentes saberes para pensar práticas de cuidado sensíveis a essas experiências.
Filme 02 em produção · Imagens, legendas e transcrição serão acrescentadas à versão final.
SAÚDE · ESCUTA E ACOLHIMENTO
Escutar faz parte do cuidado.
Os relatos em áudio e a paisagem sonora deste espaço aproximarão o público das experiências de deslocamento e acolhimento. Na versão final, cada fala terá identificação autorizada e transcrição.
A possibilidade de compreender e ser compreendido também atravessa o acolhimento. Da escuta, o percurso segue para o ensino de português e para as relações que a aprendizagem da língua ajuda a construir.
03 / 05 — Línguas →A língua aproxima pessoas e serviços.
Aprender português ajuda a circular pela cidade, estudar, trabalhar e estabelecer novas relações. Na Faculdade de Letras, a língua é ensinada como instrumento de acolhimento e também constitui um tema de formação docente.
Em parceria com a AVSI Brasil, a Cátedra abriu em 2024 um curso para migrantes ligado ao projeto Acolhidos por Meio do Trabalho. Essa iniciativa conecta a aprendizagem da língua às possibilidades de participação na vida cotidiana.
Filme 03 em produção · Imagens, legendas e transcrição serão acrescentadas à versão final.
A compreensão da língua também faz diferença diante de formulários, documentos e exigências de acesso a serviços. Essas situações ligam a aprendizagem do português à próxima frente de atuação: a orientação jurídica e administrativa.
04 / 05 — Atendimento jurídico →Orientação para acessar documentos e direitos.
Ter acesso a um documento e compreender um procedimento podem fazer diferença na busca por trabalho, serviços e educação. As regras e exigências documentais, porém, nem sempre são fáceis de entender.
A orientação jurídica e administrativa da Cátedra aproxima estudantes e profissionais de demandas concretas de regularização e garantia de direitos. Essa atuação se soma ao cuidado em saúde e ao ensino de línguas no acolhimento de quem precisa reconstruir seus caminhos.
Filme 04 em produção · Imagens, legendas e transcrição serão acrescentadas à versão final.
As frentes apresentadas fazem parte de um trabalho compartilhado. O capítulo final reúne os resultados já divulgados pela Cátedra e as parcerias que ajudam a sustentar essas ações.
05 / 05 — Resultados e parceiros →O trabalho conjunto e os resultados registrados.
Depois de acompanhar as frentes de acolhimento, este capítulo reúne os registros das atividades e apresenta as instituições envolvidas nas ações. Os resultados permitem observar o trabalho realizado em períodos específicos; as parcerias mostram como diferentes pessoas e organizações participam dessa atuação.
Filme 05 em produção · Imagens, legendas e transcrição serão acrescentadas à versão final.
RESULTADOS DA PRÓPRIA CÁTEDRA · RECORTE PUBLICADO
O que a CSVM-UFG já registrou.
Em reunião com a Reitoria em novembro de 2024, a Cátedra apresentou resultados de atividades realizadas entre o início do primeiro semestre de 2023 e o fim do primeiro semestre de 2024. Cada indicador descreve uma ação específica desse período; não é um balanço acumulado dos cinco anos.
RESULTADOS E PARCEIROS · A ARTICULAÇÃO LOCAL
As parcerias sustentam as ações.
A primeira Semana dos Migrantes, Refugiados e Apátridas de Goiás reuniu a Cátedra, associações de migrantes, órgãos públicos, serviços de saúde, Defensoria Pública e outras organizações em atendimentos, formação e debate. Essa articulação aproxima a Universidade de iniciativas e serviços presentes no território.
Outra parceria deu origem ao Programa de Treinamento em Ciências Sociais, iniciado em 2024 com a Universidade de Cagliari e a Lead Impact para refugiados e migrantes. Ao lado das frentes apresentadas neste roteiro, essas iniciativas ajudam a compreender a dimensão coletiva do trabalho da Cátedra.
A CSVM-UFG NA REDE NACIONAL
Uma universidade entre muitas. Um compromisso compartilhado.
A articulação da UFG também faz parte de uma rede nacional. Desde 2003, o ACNUR desenvolve a Cátedra Sérgio Vieira de Mello em cooperação com universidades brasileiras, conectando ensino, pesquisa, extensão e serviços comunitários. Os resultados a seguir se referem ao conjunto nacional das Cátedras em 2025, e não à UFG isoladamente.
Educação e língua
1.375 vagas destinadas a estudantes com necessidade de proteção internacional, por ingresso facilitado em 27 universidades.
4.300 participantes de cursos de português nas instituições da rede.
Direitos e trabalho
10.700 atendimentos de assessoria jurídica oferecidos no conjunto das Cátedras.
471 atendimentos voltados à integração laboral.
Saúde e cuidado
200 atendimentos de saúde realizados pela rede.
332 atendimentos de saúde mental e apoio psicossocial.
Fonte: ACNUR Brasil, Cátedra Sérgio Vieira de Mello , seção “Resultados alcançados em 2025”. O total de instituições descreve a rede listada na página consultada.
CONTINUIDADE
Cinco anos de atuação, uma história em construção.
O percurso começou com a organização da Cátedra na UFG e acompanhou suas ações de saúde, ensino de línguas e orientação jurídica. Os resultados e as parcerias apresentados ao final mostram como essas frentes compõem uma atuação voltada ao acolhimento e ao acesso a direitos.
Esta versão piloto será completada pelos cinco filmes, pelas imagens documentais, pelos depoimentos e por um balanço dos cinco anos. As instituições e pessoas parceiras serão creditadas na versão final, reunindo as contribuições de quem participa dessa história.
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